quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Crônica sobre umas frases ditas

        - Quando vê já é dezembro, já é natal, a gente já tá UFRGS.


Janeiro...Maio...Setembro. Assim o ano se foi. Onde eu estive? Não tenho tempo suficiente. Preciso terminar meus trabalhos. Dezembro está aí outra vez. Sim, parece atitude de um ansioso, e realmente é. Já não tenho mais tempo para divagações e viagens. Dezembro está aí e tenho a defesa do TCC, que só por mencionar essa sigla já causa estranheza em muitas pessoas. Aquela comodidade de todo dia ir para a Universidade parece que está com os dias contados. E o RU, as amizades, as horas que reclamamos que queríamos estar em casa e nas nossas cidades. 


Ninguém sabe ao certo o que terá depois de passar quatro anos cursando algo que sempre sonhou. Mas sonhar e ser são coisas muito diferentes, aliás extremamente diferentes. Talvez a paixão sempre nos mova. É a paixão sim, pela profissão, pela vida, pelas canções que nos embalam todo dia. Alguns dias são mais arrastados e parece que nada vai surtir efeito, muitos culpam o mês de Agosto. Discordo, cada dia é singular. Mas sei que a simples passagem frenética deles me assusta.


A frase que abre o texto, foi dita em 2010, por uma amiga e colega de ensino médio. Ainda almejávamos a faculdade, nem sabíamos o que o futuro nos reservava, mas arrisco a dizer que já naquele instante estávamos nos preparando para todas essas mudanças que viriam e ainda estão por vir. Ao findar esse breve texto edito a frase:

     - Quando vê já é janeiro, a gente já tá formada, a gente vai tá morando na Austrália ou no Uruguai.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Mudanças urbanas e gentrificação



A palavra gentrificação, do inglês gentrification, pode ser entendida como o processo de reorganização urbana, seja de um bairro, região ou cidade. O termo é derivado de um neologismo criado pela socióloga britânica Ruth Glass, em 1963, em um artigo no qual ela falava sobre as mudanças urbanas em Londres. Ela se referia ao “aburguesamento” do centro da cidade, usando o termo irônico “gentry”, que pode ser traduzido como bem-nascido.

Entre os principais resultados da mudança que esse fenômeno provoca destaca-se a reorganização da geografia urbana com a substituição de um grupo por outro, dessa maneira mudam-se também estilos de vida e características culturais. O que também deve causar o aumento no valor dos imóveis, aumento da densidade populacional e uma mudança no perfil socioeconômico. 

Por volta de 1980 a expressão se referia aos melhoramentos em uma área abandonada ou degradada. Mas depois passou a ter uma conotação negativa, que permanece até hoje. Justificada pela visão de que promove um urbanismo excludente, ou seja, expulsa as camadas mais pobres das zonas centrais, favorecendo a marginalização da população.

Texto Kelem Duarte, veiculado no Programa Magazine da Rádio Universidade. https://www.facebook.com/magazinesocial


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

A venda da poluição

Os créditos de carbono ou Redução Certificada de Emissões são certificados emitidos para uma organização ou pessoa que reduziu a sua emissão de gases causadores do efeito estufa. A cada tonelada de dióxido de carbono, o conhecido CO2,equivale a um crédito de carbono.

Este crédito é negociado principalmente no mercado internacional, ou seja,se determinada indústria exceder seu limite de emissão, ela terá que comprar esses créditos de carbono. Acordos internacionais como o protocolo de KYOTO, por exemplo, determinam uma cota máxima de gases que os países desenvolvidos podem emitir. 

Porém, esse mercado é constantemente questionável, pois a compra desses créditos equivale a comprar permissão para emitir cada vez mais poluentes. Além disso, o preço dos créditos, negociado no mercado, deve ser inferior ao da multa que o emissor deveria pagar ao poder público. 

Essa forma de negociar para poluir mais, deixa o meio ambiente em segundo plano.Plantar árvores em países subdesenvolvidos não resolve a emissão desenfreada de gases poluentes e cada vez mais o ar que respiramos é um negócio.





Texto Kelem Duarte, veiculado no Programa Magazine na Rádio Universidade UFSM.